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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Documentos sobre a Primeira Guerra




1-“Nós fornecíamos antigamente as nossas armas ao mundo inteiro(...) . Hoje, a maior parte dos governos meteram-se a fabricá-las(...) . Tínhamos o monopólio  dos parafusos e pregos. Ao abrigo das tarifas protecionistas, Alemanha e América desenvolveram suas fábricas (...) Os botões  que vendíamos a toda Europa, chegam-nos hoje da Alemanha. O fio de ferro alemão é vendido nas nossas lojas.(...). Os russos também nos fecharam os seus mercados(...). A Alemanha tomou o caminho dos nossos mercados, o endereço de nossos clientes, e, vendo nossos lucros, falsificou nossas marcas.”
(Queixas de membros da Câmara de comércio de Birmingham e de Sheffield- Inglaterra -  1885/1886)

2-“Tornamo-nos  animais selvagens. Não combatemos, nos defendemos da destruição. Sabemos que não lançamos as granadas contra homens, mas contra a morte, que nos persegue com mãos e capacetes.(...) Corremos agachados como gatos, submersos por onda que nos arrasta, que nos torna cruéis, bandidos, assassinos, até demônios. Se seu próprio pai viesse com os do outro lado, você não hesitaria em atirar-lhe uma granada em pleno peito.”
REMARQUE, Eric Maria. Nada de Novo no front. São Paulo, Edibolso, s/d, p.92.

3- “Ainda estou atolado nesta trincheira.(...) Não me lavei, nem mesmo cheguei a tirar a roupa, e a média de sono, a cada vinte e quatro horas, tem sido de duas horas e meia.(...) Em geral, para dormirmos aquecidos, deitávamos-nos uns juntos dos outros, dividindo os cobertores(...). Os ratos eram gordos e um deles apareceu à três da manha. Ficou olhando para mim e guinchando.”

4-“Tratado de Versalhes :28 de junho de1919

Os Estados Unidos da América, o Império Britânico, a França, a Itália e o Japão, potencias designadas no presente tratado como as principais potencias aliadas e associadas(...) de um lado; e a Alemanha, de outro lado, concordaram sobre as seguintes disposições:
Art. 45. Em compensação à destruição das minas de carvão no norte da França, a Alemanha cede à França  a propriedade das Minas de carvão situadas na bacia do Sarre.
Art. 51. Os territórios cedidos à Alemanha, em 1817, são reitengrados à soberania francesa.
Art. 81. A Alemanha reconhece  a completa independência do Estado Tcheco-Eslovaco.
Art. 87. A Alemanha reconhece a completa independência da Polônia.
Art. 100. A Alemanha renuncia, em favor das principais potencias aliadas, a todos os direitos sobre a cidade de Dantzig.
Art. 160. O exército alemão não deverá ter mais do que sete divisões de infantaria e três de cavalaria.
Art. 231. Os governos aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece: a Alemanha reconhece: a Alemanha e seus aliados são responsáveis, por tê-los causado, por todas as perdas e danos sofridos pelos governos aliados e associados em conseqüência  da guerra, que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e de seus aliados.
Art.232. Os governos aliados exigem e a Alemanha se compromete: que sejam reparados todos os danos causados à população civil das potencias aliadas e associadas e a seus bens.”

Adaptado de MATTOSO, Kátia M. de Queirós. Textos e documentos para o Estudo da História Contemporânea(1789-1963). São Paulo, HUCITEC-EDUSP, 1977,p. 166-9. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O Imperialismo e as mudanças sociais e econômicas do século XIX

                No final do século XIX e começo do XX, a sociedade européia experimentou o aumento da população e da capacidade econômica, bem como um progresso tecnológico e industrial sem precedentes. É a época do capitalismo financeiro, caracterizado pela hegemonia das grandes indústrias e dos bancos. O mercado europeu torna-se pequeno e as potências capitalistas buscam maneiras de vender seus produtos e de investir seus excedentes de capitais no mundo todo.
O expansionismo neocolonial subjuga muitos povos da África e da Ásia. Países ricos e poderosos da Europa, como a Grã-Bretanha, a França, a Bélgica e a Alemanha estendem seus domínios por todos os continentes, formando autênticos impérios e repartindo o mundo. Japão e Estados Unidos, mesmo sem terem formado vastos impérios, também praticam o imperialismo, demonstrando que novas forças capitalistas começam a emergir.
                Os avanços tecnológicos e o crescimento econômico marcaram a chamada "segunda fase" da Revolução Industrial (1860-1914). Pela primeira vez, a indústria passou a apoiar a pesquisa científica, buscando melhorar seu rendimento. Foram descobertos o aço, o petróleo e a eletricidade, que suplantaram o carvão e o ferro. Invenções como o telefone, o rádio, o automóvel, o bonde e o metrô garantiram melhorias nos sistemas de comunicação e transporte, tornando a vida mais cômoda. Os setores industriais predominantes foram o petroquímico, o siderúrgico e o automobilístico. O desenvolvimento tecnológico foi acompanhado pela maquinofaturagem, produção em série, padronização, riscos de superprodução e internacionalização do capitalismo.
                Essa nova fonte de energia substituiu o carvão nos lares, na indústria e nos meios de transporte. Nos Estados Unidos, a primeira extração petrolífera ocorreu em 1859. Utilizado inicialmente para iluminar as ruas e as casas, rapidamente tornou-se o combustível mais utilizado, graças à invenção do automóvel.
Os novos meios de transporte
                O descobrimento do motor a explosão revolucionou os meios de transporte. Os trens, barcos, automóveis e aviões passaram a funcionar com derivados de petróleo, como a gasolina, deixando para trás os velhos sistemas de transporte a vapor. O bonde e o metrô conseguiram se impor nas grandes cidades. A distância entre os continentes diminuiu graças ao avião, e o comércio e a indústria se desenvolveram em nível mundial.
                A invenção do avião trouxe inegáveis benefícios, especialmente para a indústria e para a área militar. A autoria do feito, no entanto, ainda é polêmica. Em 1903, os irmãos Wilbur e Orville Wright, americanos, afirmaram terrealizado um vôo (em 17 de dezembro de 1903) sem testemunhas.Distribuíram uma foto do feito e no ano seguinte, tentaram uma demonstração para a imprensa. Em 9 de setembro, Wilbur voou, mas a aeronave norte-americana decolava com auxílio de uma catapulta e de um terreno em declive para ser lançada. Somente em 1910, os dois irmãos conseguiram desenvolver uma aeronave com propulsão. Quatro anos antes, em 23 de outubro de 1906, o brasileiro Alberto Santos Dumont levantara vôo diante de uma comissão do Aeroclube da França em uma aeronave com propulsão interna. Para os Estados Unidos e alguns outros países, os irmãos Wright são os precursores da aviação. Para brasileiros e franceses, a invenção do avião é creditada a Santos Dumont.
                As novas empresas exigiam grandes investimentos financeiros. Para isso recorriam aos bancos, criando uma aliança entre industriais e banqueiros. Dessa união, surge o capitalismo financeiro, que substitui o velho capitalismo de livre concorrência pela concentração empresarial e supremacia dos bancos. Organizações empresariais são formadas para controlar os diferentes setores da produção e dominar o mercado internacional.
                O aumento da população e o êxodo dos camponeses para os núcleos urbanos causou, a partir de meados do século XIX, uma mudança no aspecto das cidades. A superfície habitável tornou-se pequena para tantos moradores e as antigas muralhas foram derrubadas. Novos bairros residenciais foram construídos para os burgueses, enquanto os operários se assentavam nas novas áreas industriais que, em geral, não seguiam um plano urbanístico adequado. A iluminação elétrica, o transporte público e os grandes edifícios tornaram-se comuns.
                O sufrágio (ou eleição) é o direito de voto dos cidadãos, uma das principais maneiras de participação política. O sufrágio universal ou direito de votar estendido a todos os cidadãos, era uma reivindicação dos partidos e grupos políticos progressistas e democráticos desde o princípio do século XIX. Criticavam-se as eleições restritas (voto censitário) que discriminavam as classes menos favorecidas, já que apenas os segmentos sociais mais ricos votavam. As primeiras experiências de sufrágio universal ocorreram na Europa em meados do século XIX, mas não incluíam as mulheres. Em resposta, em vários países elas se organizaram em grupos de protesto para reivindicar seu direito de voto: eram as sufragistas. As mulheres só conseguiram o direito ao voto no início do século XX.
O neocolonialismo
                Entre 1875 e 1914, as grandes potências expandiram seus domínios por todos os continentes, numa desenfreada corrida para repartir o mundo. Esses países, especialmente Inglaterra e França, formaram autênticos impérios, unindo exploração econômica e domínio político. As grandes riquezas das colônias, a necessidade de dispor de territórios para onde pudesse emigrar a crescente população européia, o desejo de supremacia, a vontade de impor sua cultura aos povos mais atrasados e a busca por mercados consumidores e fornecedores foram fatores que incentivaram a nova colonização.
                O impacto do imperialismo foi negativo para os povos colonizados. Mudaram seus costumes, sua cultura e sua economia, assim como sua língua e sua religião. A criação de fronteiras artificiais privou-os de sua identidade. Foi-lhes negado o desenvolvimento autônomo, o que resultou no subdesenvolvimento atual, já que só podiam se desenvolver de acordo com as necessidades dos dominadores.
A missão civilizadora
                Deformando as teorias de Darwin, o homem branco se considerava superior aos povos locais da África e da Ásia. Julgava que sua cultura e seu progresso científico colocavam-no acima dos colonizados e sentia-se no dever moral de "levar" a esses povos os benefícios de sua civilização, incluindo a religião. Era essa a justificativa ideológica do imperialismo.
os políticos, os homens de negócio e os governantes europeus encaravam o imperialismo como um fator necessário à prosperidade econômica e como uma forma de diminuir os graves problemas sociais de seus países. 0 discurso de cécil rhodes, imperialista inglês, milionário e 12 ministro da colônia do cabo na áfrica do sul, proferido em 1895, mostra claramente as raízes socioeconômicas do imperialismo:

                "ontem estive no East-End (bairro operário de Londres) e assisti a uma assembléia de desempregados. ao ouvir ali discursos exaltados, cuja nota dominante era: pão! pão!, e ao refletir, de regresso a casa, sobre o que tinha ouvido, convenci-me, mais do que nunca, da importância do imperialismo... a idéia que acalento representa a solução do problema social: para salvar os 40 milhões de habitantes do Reino Unido de uma mortífera guerra civil, nós, os políticos coloniais, devemos apoderar-nos de novos territórios; para eles enviaremos o excedente de população e neles encontraremos novos mercados para os produtos das nossas fábricas e das nossas minas. 0 império, sempre o tenho dito, é uma questão de estômago. se quereis evitar a guerra civil, deveis tornar-vos imperialistas." (Catani, Afrânio Mendes. 0 que é imperialismo. São Paulo, editora brasiliense, 1982, p. 36.)

                A partir da expansão marítima européia (séculos XV e XVI), interesses econômicos nortearam a exploração do continente: metais preciosos, matérias-primas e escravos. Com a segunda Revolução Industrial, desenvolveu-se um novo colonialismo, legitimado pela "missão civilizadora" do homem branco. O continente possuía enormes riquezas, mão-de-obra abundante e barata e também um grande interesse estratégico. Os europeus ocuparam primeiro o litoral e depois o interior, até formar verdadeiros impérios. Na Conferência de Berlim (1884-85), as potências imperialistas fragmentaram a África, ignorando a diversidade étnico-cultural. Fronteiras retilíneas separaram grupos e aglutinaram rivais, acentuando os problemas. A África tornou-se um conjunto de colônias e protetorados, com exceção apenas da Etiópia e da Libéria.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Nada de Novo no Front


Nada de Novo no Front,  é um romance do escritor alemão Erich Maria Remarque (1898-1970), um veterano da primeira guerra mundial, sobre os horrores daquela guerra e também a profunda indiferença da vida civil alemã sentida por muitos homens que retornavam das frentes de batalha.
O livro foi primeiro publicado na Alemanha em janeiro de 1929 e vendeu um milhão de cópias em menos de um ano na Alemanha, e mais outro milhão no exterior.
Em 1930 o livro, adaptado para o cinema, transformou-se no filme vencedor do Oscar daquele ano, com o título em inglêsAll Quiet on the Western Front, dirigido por Lewis Milestone.


Filme Legendado