“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,a vida presente”. Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
O Regime militar brasileiro :Ditadura e Torturas
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Chile tenta reescrever o passado
Presidente chileno quis mudar termo usado para denominar o governo de Pinochet. Nas escolas, 'ditadura' viraria 'regime militar'
Nashla Dahas
Circulou nesta semana, nos principais jornais brasileiros, a notícia de que o Ministério da Educação chileno proibiu o uso do termo ‘ditadura’ nos livros didáticos, substituindo-o por ‘regime militar. A iniciativa, que atingiria alunos do primeiro ao sexto ano, acabou sendo abortada após a repercussão negativa na mídia (inclusive internacional), mas é mais uma demonstração de que mudanças na ordem política são, frequentemente, acompanhadas por revisões na história nacional. Em busca de uma narrativa que dê mais legitimidade ao seu governo, o conservador Sebatian Piñera autoriza o esquecimento da herança Pinochetista. Naturaliza-se assim uma identidade nacional cristã, democrática e a-histórica. Resta saber se os 48,1% da população, que não lhe concederam voto no segundo turno das eleições de 2010, não terão outros passados para recordar.
Vale lembrar que tanto na campanha pelo plebiscito de 1988, que retirou Pinochet do poder, quanto no processo de transição democrática, ou durante a repercussão gerada pela detenção do ex-ditador em Londres, realizaram-se releituras dos eventos passados com discursos de legitimação, que reivindicam direitos humanos, ou de reconciliação nacional. O sucesso de tais reconstruções depende, no entanto, da sua capacidade para articular a história elaborada às memórias que emergem das vidas cotidianas.
'Sociedade de inimigos'
O que parece singular no Chile é o fato de que em todos esses momentos as eleições foram extremamente acirradas, com diferenças muito pequenas entre os votos recebidos pelos candidatos. Nessas condições, a vitória nunca assegura uma posição confortável, ou se torna garantia de estabilidade, cria-se uma sociedade de inimigos. A população não consegue se reconhecer em uma única história. Talvez por isso haja tanta pressa em esquecer o passado, em reconciliar o inconciliável. São partes com identidades distintas, próprias, que não aceitam ser enquadradas em um discurso comum.
Assim, a cada eleição estabelecem-se vencidos e vencedores, e qualquer política oficial de memória terá um custo social e um preço histórico. Trata-se, por um lado, de nomear a tortura e o assassinato de uma geração, de encontrar formas consensuais para explicar disputas ideológicas, radicalização política, e experiências limite individuais e coletivas. Por outro lado, há a necessidade de se estabelecer a ordem, de criar um pacto de estabilidade política e convivência social, tal como os sucessivos governos concertacionistas, de centro esquerda, tentaram fazer ao longo dos últimos 20 anos.
Certamente, uma memória conservadora, fundada na negação do passado, não será uma narrativa convincente, e tampouco fundadora de uma identidade nacional. A reelaboração do passado que pretenda reconciliar memórias antagônicas terá, necessariamente, que considerar o caráter profundamente conflitivo e dinâmico de qualquer história social
Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. 6/01/2012
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Comissão reconhece 434 mortes e desaparecimentos durante ditadura
Michèlle Canes - Repórter da Agência Brasil
CNV confirma em relatório mais de 200 desaparecidos políticos durante a ditadura militarAntonio Cruz/ Agência Brasil
Depois de dois anos e sete meses de trabalho, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou, em seu relatório final, 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país. Entre essas pessoas, 210 são desaparecidas.
No documento entregue hoje (10) à presidenta Dilma Rousseff, com o relato das atividades e a conclusão dos trabalhos realizados, a CNV traz a comprovação da ocorrência de graves violações de direitos humanos. “Essa comprovação decorreu da apuração dos fatos que se encontram detalhadamente descritos no relatório, nos quais está perfeitamente configurada a prática sistemática de detenções ilegais e arbitrárias e de tortura, assim como o cometimento de execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres por agentes do Estado brasileiro” diz o texto.
Mais de 300 pessoas, entre militares, agentes do Estado e até mesmo ex-presidentes da República, foram responsabilizadas por essas ações ocorridas no período que compreendeu a investigação. O documento diz ainda que as violações registradas e comprovadas pela CNV foram resultantes “de ação generalizada e sistemática do Estado brasileiro” e que a repressão ocorrida durante a ditadura foi usada como política de Estado “concebida e implementada a partir de decisões emanadas da Presidência da República e dos ministérios militares”.
Outro ponto de destaque das conclusões do relatório é que muitas das violações comprovadas durante o período de investigação ainda ocorrem nos dias atuais, apesar da existência de um contexto político diferente. Segundo o texto, “a prática de detenções ilegais e arbitrárias, tortura, execuções, desaparecimentos forçados e mesmo de ocultação de cadáveres não é estranha à realidade brasileira contemporânea” e crescem os números de denúncias de casos de tortura.
Diante dessas conclusões, o relatório final da CNV traz 29 recomendações, divididas em três grupos: medidas institucionais, iniciativas de reformulação normativa e de seguimento das ações e recomendações dadas pela comissão.
Entre as recomendações estão, por exemplo, questões como a determinação da responsabilidade jurídica dos agentes públicos envolvidos nessas ações, afastando a aplicação da Lei da Anistia (Lei 6.683/1979) por considerar que essa atitude “seria incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional, pois tais ilícitos, dadas a escala e a sistematicidade com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade, imprescritíveis e não passíveis de anistia”.
A CNV recomenda também, entre outros pontos, a desvinculação dos institutos médico-legais e órgãos de perícia criminal das secretarias de Segurança Pública e das polícias civis, a eliminação do auto de resistência à prisão e o estabelecimento de um órgão permanente para dar seguimento às ações e recomendações feitas pela CNV.
Em suas mais de 3 mil páginas, o documento traz ainda informações sobre os órgãos e procedimentos de repressão política, além de conexões internacionais, como a Operação Condor e casos considerados emblemáticos como a Guerrilha do Araguaia e o assassinato da estilista Zuzu Angel, entre outros. O volume 2 do documento traz informações sobre violações cometidas contra camponeses e indígenas durante a ditadura.
A Comissão Nacional da Verdade foi instalada em 2012. Criada pela Lei 12.528/2011, a CNV será extinta no dia 16 de dezembro.
Fonte: https://www.google.com.br/amp/agenciabrasil.ebc.com.br/amphtml/direitos-humanos/noticia/2014-12/comissao-reconhece-mais-de-200-desaparecidos-politicos-durante
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Anos Jango - Documentário
domingo, 28 de setembro de 2014
O bipartidarismo no regime militar

domingo, 1 de setembro de 2013
Globo reconhece que apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro
Interessante o mea culpa da Globo ao reconhecer o que o Brasil inteiro sabia, que é sua participação ativa e efetiva no Golpe de 1964 e em todo o período Militar. As Organizações Globo nos apontam a necessidade de se entender tal decisão no contexto no contexto histórico, e que o apoio à quartelada parecia ser o único caminho a ser adotado à época.
Penso que é um avanço esse reconhecimento da Globo, mas ele já é fruto dos movimentos sociais que estão nas ruas e que fazem a crítica constante ao império global. Mas acho que é HISTÓRICO também a ligação da Globo com as forças conservadoras do país e a sua hegemonia atual não é mera coincidência. Os Marinhos apoiaram e se beneficiaram da Ditadura Militar, se tornaram no maior império de comunicações do Brasil por isso. Quando outros setores da imprensa perceberam os absurdos dos militares, retiraram seu apoio, o que a Globo não fez.
A defesa da democracia no final do texto parece cômica. Que democracia é essa em que o "padrão Globo de qualidade e sociedade" é imposto goela abaixo de milhões de brasileiros que tem como única fonte de informação a TV aberta, dominada pela plim plim? A minha conclusão é que as Organizações Globo continuam sendo hipócritas como sempre foram.
Leia o editorial da Globo publicado no dia 01 de setembro de 2013:
- "A consciência não é de hoje, vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Não à guerra civil
Sem resistir ao golpe, João Goulart partiu para o exílio e evitou uma luta sangrenta entre reformistas e golpistas
O sol sem peneira
O apoio da sociedade civil foi fundamental para a longa vida da ditadura militar no Brasil
A salvação da pátria
Para os jornais paulistanos, o golpe militar foi a defesa da lei e da ordem
GASPARI, Elio. A Ditadura Envergonhada. São Paulo: Cia. das Letras, 2002.
TOLEDO, Caio Navarro de. O governo Goulart e o golpe de 64. São Paulo: Brasiliense, 1982.
Filmes
“O que é isso, companheiro?”, de Bruno Barreto (1997).
“O ano em que nossos pais saíram de férias”, de Cao Hamburger (2006).




